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sábado, 31 de janeiro de 2015

Painel "Ribeira Negra" - Júlio Resende - Alfândega do Porto



Composto por 40 painéis, de 3 metros de altura por 1 metro de largura, esta peça constitui um dos ensaios para o grandioso painel azulejar Ribeira Negra, situado junto à entrada leste do Túnel da Ribeira. A ideia original partiu de uma sugestão do maestro Álvaro Salazar, à época diretor das Jornadas Internacionais da Oficina Musical. Concebido em 1984, em apenas 10 dias, e em condições exíguas de trabalho, começou por estar exposto na Cooperativa Árvore e, depois, no Mercado Ferreira Borges. Nos dois anos seguintes, Júlio Resende executou uma série de estudos: um datado de cerca de 1985 (papel craft, aguarela sobre, 34X269 cm, Coleção do Autor); outro também de 1985 (papel vegetal, tinta-da-china e aguada, 37,5X390 cm, Coleção do Autor), um terceiro de 1986 (papel vegetal, tinta-da-china e lápis de cor sobre, 32X277 cm, Coleção do Lugar do Desenho). Em 1986 foi criado o mencionado painel cerâmico, em grés vidrado, na Empresa Cerâmica do Fojo (Vila Nova de Gaia), inaugurado a 21 de junho de 1987.

Descemos a calçada íngreme para a revelação.
De alto a baixo, diante de nós, uma proliferação de formas subjugadas na mancha poderosa da neutralidade granítica.
Um tom subindo do rio, irrompe num desafio à severidade.
O teu silêncio toca-me. Entendo-o. Chegam-nos longínquos sons de multidões despertadas, de sirenes preventivas, de máquinas deslubrificadas, de cães eufóricos. Um mundo emergindo do cinza neutro.
Descemos em lentidão; até ao colosso de ferro em largo gesto. O percurso do seu traçado fez-se sobre o caudal marcado pelo destino.
Eis que entrámos no enquadramento da verdade.
(...)
Gente que deixa em nós a marca granítica da sua alma rude e transparente, mostrando aquilo que é, exactamente como a terra que lhe foi berço.
Ficas solencioso porque alguma reflexão íntima te domina.
A verdade é mesmo isto.


RESENDE, Júlio - «Pulsar do Granito», "Ribeira Negra". Porto: Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende, 1998, p.3-5


A Ribeira Negra, que eu tenho aqui no Porto, é a segunda versão da Ribeira, que eu pintei, com quarenta metros. É uma obra que nunca foi vista em Lisboa. Esteve em Madrid, uma vez. É um trabalho curioso. Foram 120 metros quadrados, quarenta por três, mas que foram feitos em segmentos de quatro metros cada um, aqui, num atelier pequenino de cerâmica. Dispunha de quatro metros, mandei pôr a régua e cortei o pano, que ia suspendendo com umas tachinhas e ia pintando e ia pintando. Foi uma coisa que saiu sem eu estar a ver o conjunto, embora sentisse mais ou menos o ritmo. Mas aquilo não tinha o espaço adequado. Medi a passos o local para onde foi feito o painel e vi o que precisava de quarenta metros. Fiz aquilo rapidamente, em quinze dias.

Júlio Resende na Coleção de Arte Millennium BCP. (s.l.): Millennium BCP, 2006, p.51


Corri à Rua das Flores a comprar uma peça de lona, e disparei para o atelier. Dispunha de uns escassos 10 dias para 120m2 do painel. Polivinil seria a técnica; negro de fumo e óxido de zinco, os pigmentos. De 4 em 4 metros, fui pintando sucessivamente a extensão dos 40 metros de parede, sem qualquer hipótese de voltar atrás. Ou ter uma visão de conjunto.
Sabia dos riscos mas tinha o pressentimento que valeria a pena corrê-los, desde que a emoção tivesse a despoletá-la a razão, e essa eu tinha-a... A "Ribeira Negra" cumpria-se por si mesma, eu diria...


Exposição Júlio Resende. Pintura. Desenho. Almada: Câmara Municipal de Almada, 1991, p. 73

sábado, 14 de dezembro de 2013

sábado, 3 de agosto de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

Porto - Sé Catedral, Claustros, Museu e Paço Episcopal



Passeios da Primavera 2013

Por Francisco Sousa Rio e Francisco Queiroz

Marcas de Nasoni e do Barroco na Sé do Porto, Paço Episcopal, Casa Museu Guerra Junqueiro, Igreja do Terço, Igreja de Nossa Senhora da Esperança, Capela do Pinheiro ou de Nossa Senhora da Conceicão, Igreja dos Clérigos e de S. Francisco.

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Fotos do Paço Episcopal

Outras fotos da Sé Catedral, Claustros e Museu

sábado, 16 de junho de 2012

Porto - De S. José das Taipas às Alminhas da Ponte

Passeios da Primavera 2012 - C. M. Porto
Por José Manuel Tedim e Luís Cabral


Partindo da cota alta da Cordoaria, vamos em direção à Ribeira, descendo as ruas de Barbosa de Castro e de Belomonte até ao Largo de S. Domingos. Começaremos por uma breve visita à Igreja de S. José das Taipas, detendo-nos, durante o percurso, em algumas casas como a de Garrett e a de Belomonte. Apreciaremos também os largos de S. João Novo e de S. Domingos. Daí iremos ao memorial das Alminhas da Ponte. 
Mais informação:
Igreja de S. José das Taipas
A igreja de S. José das Taipas, situada no início da Rua do Dr. Barbosa de Castro, começou a ser construída em 1795, mas só ficou acabada em 1878. Esta lentidão ficou a dever-se, sem dúvida, à falta de recursos da irmandade, mas deve ter sido provocado também pelos escaldantes acontecimentos políticos e sociais que marcaram o século XIX desde o início. Não admira, por isso, que o projecto do engenheiro Carlos da Cruz Amarante tenha sido substancialmente alterado, ao longo dos 83 anos que demorou a construção da igreja. As alterações mais significativas registaram-se no retábulo da capela-mor e na sacristia.
A irmandade que administra esta igreja resultou da fusão, em 1780, de duas outras anteriores: a de S. Nicolau Tolentino das Almas (instituída em 1634, na igreja de S. João Novo) e a de S. José das Taipas. A nova confraria, designada Irmandade das Almas de S. José das Taipas, reunia-se, primitivamente, na capela privativa da confraria de S. José das Taipas, fundada em 1666 pela família dos Pachecos ao cimo da Rua do Calvário (hoje do Dr. Barbosa de Castro). Com o desenvolvimento do culto das almas, cedo se impôs a necessidade de se construir um novo templo. Tanto mais que a Irmandade das Almas conquistou enorme simpatia por parte da população, a ponto de em 1810, os moradores na Ribeira deliberarem confiar-lhe o encargo do sufrágio dos mortos no desastre da Ponte de Barcas (29 de Março de 1809) e a recolha das esmolas para esses sufrágios. Por essa razão, a irmandade passou a realizar todos os anos, nessa data, uma procissão da capela até à Ribeira, evocando as almas dos que morreram no rio, um acto religioso que se manteve até 1909 e que só terminou com o advento da República. Na igreja das Taipas conserva-se ainda a tela original evocativa dessa tragédia provocado pelas invasões francesas, que esteve inicialmente na Ribeira, antes de ser substituída, em 1897, pelo painel de bronze de Teixeira Lopes (pai) que agora figura no muro da Ribeira.

"Relacionado com este desastre da Ponte de Barcas, registou-se um lamentável episódio que envolveu a Irmandade das Taipas e uma outra semelhante, erecta na Capela das Almas, da Rua de Santa Catarina. Quando a população da Ribeira entregou à das Taipas o encargo daqueles sufrágios, a de Santa Catarina não gostou que a outra ficasse com o exclusivo da gestão das esmolas das «Alminhas da Ponte» (que constituíam já um avultado capital), reivindicando também esse direito. O conflito estalou e a contenda arrastou-se durante alguns anos, com grande escândalo público, a ponto de Firmino Pereira a ele se referir nos seguintes termos: «A irmandade (de Santa Catarina), que era teimosa, disputou à sua congénere das Taipas a administração do cofre das ""Almas"", travando-se entre as duas corporações um litígio formidável em que, cada uma, no seu interesse, se defendeu com os melhores argumentos que pôde inventar ou deduzir dos textos canónicos aplicáveis ao caso. A questão era, como se vê, reles, porque assentava numa base de ganância. "

"A igreja das Taipas é um templo elegante, de estilo italiano-clássico, com uma frontaria de grande simplicidade. Na fachada, destaca-se a porta, superiormente adornada, e, no seu enfiamento, um grande janelão com frontão circular; no remate, um frontão com tímpano com um óculo e grinalda. A torre, de forma quadrada e um pouco recuada, situa-se do lado direito e abre com uma porta e, por cima, uma janela gradeada; no primeiro andar, uma outra janela e, mais acima, quatro janelas sineiras, rematando-a uma cúpula em pirâmide, encimada por uma cruz de ferro; esta parte superior da torre é revestido por azulejos. "

Interiormente, a igreja é de uma só nave, coberta por abóbada de berço, com estuques muito simples, ao longo da qual corre um varandim com grade de ferro. Além do altar-mor, tem quatro altares laterais, dedicados a Nossa Senhora das Dores, da Saúde, da Conceição e a Santo António. Na capela-mor, também abobadada em berço e com estuques, destaca-se o retábulo neoclássico do século XIX e as imagens de S. José e de S. Nicolau Tolentino. Merecem também algum destaque o famoso presépio desta igreja e uma tela antiga, da escola alemã, representando Nossa Senhora da Divina Providência.


Palacete de Belomonte

O Palacete de Belomonte (ou de Belmonte), também conhecido como Casa dos Pacheco Pereira, é uma casa apalaçada localizada na cidade do Porto, em Portugal.
O Palacete de Belomonte, localizado nos números 43 a 55 da rua do mesmo nome, é um exemplar bem representativo da arquitectura do Porto da primeira metade do século XVIII. A frontaria da casa está dividida em cinco partes, por pilares.
O brasão da família Pacheco Pereira, que ornamentava a fachada, foi substituído pelo emblema da Companhia dos Caminhos-de-Ferro Através de África (também conhecido como Companhia de Ambaca) quando esta adquiriu o imóvel, em 1888.
Presentemente, está instalado no Palácio de Belomonte um dos núcleos da Escola Superior Artística do Porto.


As Alminhas da Ponte são umas alminhas localizadas na Ribeira, na cidade do Porto, em Portugal.
Trata-se de um baixo relevo em bronze realizado em 1897 pelo escultor Teixeira Lopes, pai e que eternizou o dia 29 de Março de 1809 no qual centenas de pessoas, fugindo das tropas do Marechal Soult que atacavam a cidade sob ordens de Napoleão, faleceram na travessia da Ponte das Barcas. O peso e a aflição da população em fuga originou o afundamento da ponte que ligava as duas margens do rio Douro.
Hoje em dia, os cidadãos depositam velas acesas e flores nas Alminhas da Ponte para lembrar a tragédia.

sábado, 14 de abril de 2012

Porto - Azulejos da Estação de S. Bento


A Estação de S. Bento, que serve principalmente a linha ferroviária do Douro, foi construida no local do Convento de S. Bento da Avé-Maria, que foi totalmente demolido para dar lugar a este novo edifício.

A criação de uma estação impunha-se faltando apenas definir o local e uma vez que o Convento se encontrava em degradação a Câmara aprovou o projecto e em Janeiro de 1888 a Direcção dos Caminhos de Ferro foram autorizadas a estudar o prolongamento da linha de Campanhã até às proximidades da Praça da Liberdade.

Assim procedeu-se à abertura dos túneis da Quinta da China, do Monte do Seminário e das Fontainhas. Foi exactamente a abertura destes túneis que ditou a demolição do mosteiro.

Em 7 de Novembro de 1896 chega o primeiro comboio, ainda sem estação, este acto marcou a inauguração oficial da linha férrea.

Contudo a construção da estação como a conhecemos só teve inicio a 22 de Outubro de 1900, estávamos no reinado de D. Carlos e de Dª Amélia que presidiram ao assentamento da primeira pedra da nova estação, que manteve parcialmente o nome do antigo Convento - S. Bento.

Em Agosto de 1915 foram assentados os azulejos na gare da estação. No total 551 m2 de superfície a decorar com os mais belos painéis do género existentes em Portugal.

Cada painel representa uma cena da história nacional. Neles podemos encontrar: a entrada triunfal de D. João I e o seu casamento com Dª Filipa da Lencastre no Porto, em 1386, a conquista de Ceuta, 1415 e o Torneio de Arcos de Valdevez,1140.

Noutros porém encontramos cenas campestres e aspectos etnográficos como são exemplo a procissão da Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, a romaria de S. Torcato, em Guimarães, uma Vindima, a Feira do Gado, uma Azenha, o Transporte do vinho num barco rabelo, no Douro...

No alto das paredes podemos ainda ver um lindo friso multicolor evocativo da história da viação nacional, desde os primórdios até à chegada do primeiro comboio a Braga.

O edifício foi solenemente inaugurado em 1916, está concebido em forma de U, com dois pavimentos que dão para as ruas da Madeira e do Loureiro, estando a fachada principal voltada para a Praça Almeida Garrett.

Interiormente integra uma gare com oito linhas terminais e cinco cais, para armazenamento de mercadorias tudo coberto por uma enorme mas artística estrutura metálica.


Porto - Igreja do Corpo Santo de Massarelos


Igreja e Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos

O templo actual, situado no Largo denominado do Adro, que comunica com a Rua da Restauração, aberta no segundo quartel do séc. XIX e primitivamente chamada Rua de D. Miguel I, foi começado a construir em 1776. Passou a servir de igreja paroquial da freguesia de Massarelos quando se arruinou a de Santa Maria da Boa Viagem, sede da freguesia até à extinção canónica da mesma. Pertence à confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos, fundada, conforme tradição, em 1394, por mareantes que tinham sofrido tempestade quando regressavam de Inglaterra, e à qual teria pertencido o Infante D. Henrique. Esta confraria possuía grande importância no Porto, desempenhando funções bancárias, comerciais e outras, tendo navios que defendiam a costa quando apareciam piratas argelinos. Em 1741, a esquadrilha da Confraria compunha-se de cinco barcos: «São João da Foz», «Santo António de Lisboa», «São Pedro e São Félix», «Nossa Senhora da Conceição» e «Almas». Tinha também,  por concessão régia, o privilégio de ser depositária e fornecedora dos modelos de conhecimentos de bordo.

A igreja actual é dividida em três partes, por pilastras: na parte central, portão com frontão partido, com um nicho, no qual se vê a imagem do padroeiro, S. Pedro Gonçalves Telmo, e duas colunas rematadas com capiteis coríntios. Superiormente, duas janelas laterais e um janelão circular. O entablamento é singelo, com trabalho lavrado rodeando o janelão, que o remata em forma de concha, elemento que remata igualmente as janelas. Aos lados, as torres sineiras rematadas com ornatos em cada face e encimadas por uma cruz de ferro. Entre os campanários e o entablamento têm um relógio. A fachada é guarnecida com azulejos.

Tem uma só nave. A capela-mor e o seu altar são anteriores aos outros altares. Nos colaterais, à esquerda Nossa Senhora de Fátima e, no da direita, S. José. No corpo da igreja, à esquerda Nossa Senhora das Dores e, à direita, S. Cosme; nos outros dois, de época mais recente, à esquerda o Sagrado Coração de Jesus e, à direita, Santo António.

O órgão deve ser do tempo de D. José.

No tesouro da Irmandade existem ainda diversas pratas, entre as quais avulta, pelo seu mérito artístico, uma custódia quinhentista.
Interessante para a iconografia de S. Pedro Gonçalves Telmo é o grande quadro a óleo que esteve colocado na igreja, junto à porta principal, do lado esquerdo, e se guarda hoje na sala das sessões. Representa, ao alto, a Santíssima Trindade: o filho abraça-se a uma cruz, junto à qual a figura da Esperança segura uma âncora, a cujo cabo prende a mão S. Pedro Gonçalves Telmo; em baixo, à esquerda, está pintado um letreiro que diz:

TRIUMPHO
DA GRAÇA
SOBRE A NATUREZA

Ao centro do quadro vê-se um pequeno globo incandescente - O «Fogo de S. Telmo».

Merecem também referência, algumas imagens e o arcaz da sacristia.

Em 1943, ainda a irmandade realizava, no segundo domingo de Maio, a festa a S. Pedro Gonçalves Telmo e nela distribuía o pão do fastio - pão bento, em tempos muito procurado pelos tripulantes dos navios, como remédio contra o enjoo e pelas mulheres grávidas. O pão do fastio ligava-se a milagre atribuído a S. Pedro Gonçalves, quando pregava o dogma da S. Trindade.
O templo que hoje existe é o terceiro e pertence, como os anteriores, à Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos. O padre Agostinho Rebelo da Costa, na Descrição Topográfica e História da Cidade do Porto, publicada em 1789, designa-a por igreja de S. Pedro Gonçalves. Largo do Adro
4050 Porto Do templo anterior, construído depois de 1640, de menores proporções que o actual, subsiste a capela primitiva, construída sobre o rochedo em que possivelmente assenta a capela-mor.
O beneditino Manuel Pereira de Novais referindo-se, no seu Episcopologio, ao templo que no seu tempo existia, designa-o por igreja.

Anos depois sofreu um restauro, sendo a capela-mor decorada, interiormente, com pinturas a fresco, feitas pelo pintor italiano Silvestro Silvestri, ao gosto bisantino.


sábado, 31 de março de 2012

Porto - Igreja de S. Lourenço (2) - Museu de Arte Sacra e Arqueologia


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"A Igreja e Colégio de S. Lourenço, vulgarmente designada por Igreja dos Grilos, devido ao facto de ter pertencido aos Frades Grilos da Ordem de Santo Agostinho, situa-se na freguesia portuense da Sé, em espaço próximo do Paço Episcopal.
Quando a Companhia de Jesus procurou instalar-se na cidade do Porto, os seus membros ficaram no Hospício de Santa Clara à Rua dos Mercadores, mudando depois para a casa de Henrique Nunes Gouveia, sita na Rua da Lada. Para tanto o espaço foi adotado às funções académicas e de liturgia.
No entanto, a área era restrita e em dia de S. Lourenço do ano de 1570, os jesuítas lançaram a primeira pedra da sua igreja e colégio nas imediações do Paço Episcopal, não sem antes enfrentarem forte oposição camarária e da população portuense. Ainda antes de terminarem as obras, os jesuítas mudaram-se para as novas instalações do Colégio de S. Lourenço. Persistentes e persuasores, estes vencem finalmente a oposição e abrem-no à comunidade em 1630, não cobrando qualquer propina pela sua frequência, o que conduziu ao sucesso dos seus diversos cursos.
Pesadas sombras abateram-se sobre os jesuítas na época do Marquês de Pombal, com este último a assinar a expulsão desta companhia do território nacional, em 1759. Ato contínuo, a igreja e o colégio ficaram na posse da Universidade de Coimbra; posteriormente, esta instituição vendeu os edifícios aos Agostinhos Descalços, os frades grilos. Estes últimos permaneceram aqui entre 1780 e 1832, ano em que o "batalhão académico" ocupou as instalações durante o Cerco do Porto. Após este belicoso episódio, o colégio ficou arruinado e foi espoliado de muitos dos seus bens mais preciosos, escapando às destruições a antiga e austera igreja jesuítica.Nas instalações do Colégio de S. Lourenço está sediado o Seminário Maior de N. Sra. da Conceição, encontrando-se igualmente instalado, desde 1958, o Museu de Arte Sacra D. Domingos de Pinho Brandão.
A denominada Igreja dos Grilos foi construída em 1577, sendo o seu arquiteto inicial Afonso Álvares. Posteriormente, Baltazar Álvares conduz os trabalhos e altera os planos de Afonso Álvares. Os custos do empreendimento foram suportados pelas esmolas dos crentes e pelas generosas dádivas do bailio de Leça, Frei Luís Álvares de Távora.
Seguindo o esquema das igrejas jesuíticas, a frontaria de S. Lourenço compreende dois andares repartidos em cinco corpos delimitados por pilastras. A porta principal é constituída por duas colunas assentes em pedestais, sobrepujado por frontão curvo interrompido, tendo ao centro heráldica jesuítica. Lateralmente abrem-se duas outras portas com frontões triangulares, de menores dimensões.
No meio do piso intermédio abre-se uma grande janela encimada por brasão do patrocinador da obra, Frei Luís de Távora, bem assim como da cruz de Malta.
No último andar rasgam-se janelas com frontões interrompidos, assentes em pilastras jónicas, com remates piramidais. A empena central apresenta frontão curvo rematado por cruz latina. Lateralmente erguem-se as sinuosas torres sineiras cobertas por cúpulas.
O interior desenvolve-se numa só nave coberta por abóbada granítica de caixotões, sustentadas por paredes robustas ritmadas por pilastras e nichos cavados, ostentando esculturas pintadas em barro e alusivas a diversas figuras hagiográficas.
O transepto apresenta cobertura em abóbada de berço ostentando o emblema jesuítico. Possui duas capelas e dois altares colaterais. A Capela de N. Sra. da Purificação contém um monumental retábulo de quatro andares preenchido com relicários e numerosas imagens de santos, obra barroca executada entre 1729 e 1733 pelos entalhadores Francisco Pereira de Castro e António Pereira, bem assim como pelo dourador Pedro da Silva Lisboa. Dos dois altares colaterais o destaque vai para o do "Coração de Jesus", com um painel do pintor Marques de Oliveira executado em 1882.
A capela-mor apresenta uma abóbada de berço com caixotões esquartelados. O seu retábulo é uma obra neoclássica e contém uma pintura de João Batista Ribeiro alusiva ao tema de Jesus Cristo inflamando o Coração de Santo Agostinho, possuindo ainda uma escultura de Santo Inácio de Loyola. Numa das paredes abre-se um arco que alberga a arca sepulcral de Frei Luís Álvares de Távora.A sacristia é forrada com painéis de azulejos historiados, datados de Setecentos e em tonalidades de azul e branco. "

Porto - Sé Catedral - Claustros e Museu


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"O monumento mais antigo e catedral portuense, a Sé, provém do século XII após a eleição do Bispo D. Hugo, Arcediago da Sé de Compostela. Foi a este que em 1120 a rainha Dª Teresa doou o burgo portucalense e o seu respectivo couto de onde proveio a dita catedral.

D. Hugo é além de restaurador desta mui nobre cidade, o mentor deste honroso património que a Comissão mundial denominou de Património Mundial.

A Sé portuense, de origem românica fica situada no monte da Penaventosa, também chamado de Terreiro da Sé.

Conta-se que a primeira pedra foi assente pela rainha Dª Teresa viuva do conde D. Henrique, só vindo a ser concluída já no reinado de D. Dinis.

A sua decoração primitiva foi baseada na Sé velha de Coimbra. No entanto com o passar dos tempos esta catedral sofreu diversas alterações que lhe apagaram os traços primitivos.

Anos mais tarde o artista fiorentino Nicolau Nasoni barroquisou-a desenhando-lhe as pinturas murais da capela-mor e construindo-lhe a galilé (parte alpendrada e sustentada por colunas).

A fachada principal é enquadrada por duas torres. O portal, agora em estilo rococó, substituiu o primitivo em estilo românico destruído em 1722.

A sua construção é sustentada por colunas encimadas por um frontão, tendo a meio um varandim com pequenas colunas.

Na parte superior a rosácea encontra-se uma sinecura com a imagem de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da catedral, pertencente ao século XVIII.

Esta rosácea, datada do século XIII, foi sempre conservada. Tem a sustentar-lhe os raios arcos tribolados e a envolve-la folhas de figueira.

Há duas cruzes a rematar a construção, uma em estilo românico e a outra em estilo gótico.

Este templo está dividido em três naves, sendo a central de maior altura que as colaterais.

As naves estão cobertas por abobadas ogivadas e os arcos assentam em pilastras dispostas em feixes, toda a decoração é fitomórfica (motivos vegetais), iluminada pela esplendorosa rosácea e pelas frestas altas do clerestório do transcepto a luz penetra nas naves central e colaterais numa conjunção harmoniosamente celestial.

A capela-mor é da autoria do Frei Gonçalo de Morais e data dos princípios do século XVII. Esta capela-mor de estilo clássico é toda decorada a mármore, possui dois órgãos, duas magnificas tribunas e admiráveis ornamentos em madeira com belas esculturas.

As grades do coro são em bronze artisticamente trabalhadas e a grade que separa a capela-mor do corpo da igreja tem um corrimão em mármore preta.

A pia baptismal é igualmente de mármore e reside sobre um pedestal em jeste branco e mármore roxo.

Fixas nas penúltimas pilastras encontramos algumas pias de água benta em mármore talhadas em forma de concha.

Nas partes laterais do templo deparamos com diversas capelas, entre as quais figuram a do Santíssimo Sacramento ornamentada com um retábulo em prata e um ilustre sacrário envolto em apainelados que relatam passagens da sagrada escritura gravado em baixo-relevo.

Nesta área do templo podemos ainda admirar as capelas de S. João Evangelista, S. Pedro e S. Vicente todas em estilo gótico.

Anexo ao edifício da Sé está colocado o túmulo de João Gordo.

João Gordo foi cavaleiro da Ordem de S. João de Malta e almoxarife de D. Dinis, antes da sua morte, em 1333, mandou esculpir o túmulo onde viriam a descansar os seus restos mortais.

O citado túmulo construído em calcário de portunhos (pedra da Batalha) assenta no dorso de quatro leões e um arco em ogiva encimado por uma cornija com cães lavrados. As faces do túmulo em alto relevo representam a ultima ceia, o calvário e a coroação de Nossa Senhora.

Continuando a viagem podemos encontrar na parte sul do templo o claustro gótico, pertencente aos meados do século XIV-XV. A sua configuração é abobadada com nervuras assentes em colunas fasciculadas.

Os capiteis estão revestidos por um único motivo vegetal.

A sacristia também em estilo gótico, situada na testeira do braço direito do transcepto com chão de mármore é abobadada em ogiva e dividida por grossos arcos de faces vivas sustentados por consolas em granito embutidos no muro.

O seu interior é refinadamente decorado com móveis de valor inestimável, mesas e lavatórios em mármores raros, as guarnições do espelhos, os armários e o relógio em estilo rococó são feitos de pau preto."

Texto em PortoXXI

Porto - Misericórdia - Igreja e Museu


"Inicialmente, a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia instalou-se na capela de S. Tiago, no claustro velho da Sé do Porto no entanto em 1555, atendendo à beleza da Rua das Flores, aberta por D. Manuel alguns anos antes, mudaram para lá a Casa do Despacho, iniciando nesse mesmo ano a construção da sua igreja, que seria benzida em 13 de Dezembro de 1559.

Deve acrescentar-se que a existência desta igreja e confraria se deveu à constituição da Santa Casa da Misericórdia do Porto em 1502, constituída na sequência duma carta que D. Manuel I escreveu, em 1499, «aos juizes, vereadores, procurador, fidalgos, cavaleiros e homens bons» da cidade, na qual lhes recomendava a criação duma confraria semelhante à de Lisboa, instituída no ano anterior.

A igreja foi benzida ainda incompleta pois a construção da capela-mor data de 1584, recebendo o Santíssimo em 1590.

A igreja foi reedificada em 1748, sendo reforçadas as paredes, construídos abóbadas novas e uma nova fachada, desenhada por Nicolau Nasoni em estilo «barroco luxurioso do sul de Itália, já dominado pelas formas do rococó». Da antiga igreja preservou-se apenas a capela-mor.

"A fachada assenta sobre três arcadas que abrem o andar inferior, apoiadas em altos pedestais. O arco central, porta de entrada para o vestíbulo, é rematado por uma cartela com uma legenda bíblica e a data de 1750, sendo esta zona central fechada com um frontão circular partido e profusamente decorado; os laterais são rematados por conchas. O segundo piso, assente no entablamento divisório, termina também num frontão circular, partido, luxuriantemente decorado; compõem o conjunto três janelões de recorte ondulado (de maiores dimensões o central), encimados por frontões ricamente decorados. Remata a fachada um grande frontão, com o emblema da Misericórdia e a coroa real, e sobre a cornija encurvada erguem-se quatro fogaréus e, no topo, uma cruz de pedra trabalhada. "

"O interior da igreja é de uma só nave com abóbada de tijolo recoberto de estuques e as paredes estão revestidos de azulejos azuis e brancos, que substituíram, em 1866, os primitivos. A capela-mor é coberta por uma abóbada barroco-jesuítica decorada, em granito, e as paredes, também em granito bem trabalhado, dividem-se em dois frisos: o superior decorado com colunas coríntias e janelas com grades de ferro dourado (do século XIX); no inferior, com colunas jónicas, abrem-se vários nichos com imagens dos evangelistas do século XVI, em madeira, mas pintadas em 1888, a imitar mármore. A decoração interior tem alguns aspectos valiosos, nomeadamente a sanefa de talha neoclássica do arco cruzeiro, onde figuram as armas reais e a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia. De algum valor artístico são ainda as capelas e os altares laterais, com painéis e imagens valiosos, o coro, assente num belo arco abatido e recortado e o guarda-vento com vistosa talha rococó. "

No claustro, em cuja galeria figuram retratos de vários pintores portugueses, há uma lápide comemorativa do antigo hospital de D. Lopo, reminiscência do primitivo hospital fundado com o legado de D. Lopo de Almeida, uma obra de assistência que a Misericórdia sempre assumiu como um dos seus mais firmes compromissos e a levou a construir, em 1769, o Hospital de Santo António, para substituir os exíguos e mesquinhos hospitais que então possuía e administrava. Relembre-se pois, que a Misericórdia portuense é o maior senhorio privado do Porto e um dos maiores do País. O Estado é um dos seus muitos locatários, tendo arrendados os hospitais de Santo António e do Conde Ferreira, as escolas secundárias de lrene Lisboa e Carlos Cal Brandão e as esquadras da PSP do Amial e do Pinheiro Manso.

O tesouro da Santa Casa, conservado no seu Arquivo Histórico (com documentação e códices valiosos) e no Museu (em constituição), é igualmente de grande riqueza, com destaque para várias peças de ourivesaria e excelentes pinturas, em que sobressai o célebre quadro «Fons Vitae», um óleo em madeira, obra-prima do gótico final, de autor desconhecido, mas dos princípios do século XVI, oferecido à Misericórdia por D. Manuel I e que serviu de retábulo na primitiva capela de S. Tiago e se conserva agora na magnífica Sala das Sessões da Santa Casa. "

Texto em PortoXXI

sábado, 10 de dezembro de 2011

Da Serra do Pilar ao Castelo de Gaia


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Visita comentada por Joel Cleto, numa manhã escura de Dezembro. "Ponto de encontro no alto da Serra do Pilar (a ligação da Virgem do Pilar a Santiago de Compostela, a história deste local, o "tesouro escondido" da Serra do Pilar...), descida até à marginal de Gaia (com paragem e evocação a Ponte Luis I, onde se explica porque é que o rei perdeu o Dom), visita à Igreja do Mosteiro de Corpus Christi (com imagem de Santiago, um coro-alto e um cadeiral fabulosos e a imagem de um Crucificado "conversador"), subida ao alto do Castelo de Gaia (a lenda do Rei Ramiro e da rainha Gaia, e uma das melhores perspectivas sobre o Porto; explicação do topónimo Miragaia), descida até ao Senhor da Boa Passagem (evocação da cheia de 1909 e das barcas de passagem, utilizadas também pelos peregrinos)".

sábado, 22 de outubro de 2011

Caminhada pelos "Caminhos de Santiago" no Grande Porto, Matosinhos, comentada por Joel Cleto.


Junto à praia, evocação da lenda de Cayo Carpo (na génese da associação da concha da vieira ao culto de Santiago), passagem pelo zimbório do Senhor do Padrão e da sua miraculosa fonte, bairro piscatório, mercado de Matosinhos, “fachada-memória” da capela de Santo Amaro e dos seus paineis explicativos sobre a vila ribeirinha de Matosinhos desaparecida com a construção do Porto de Leixões, centro histórico” de Matosinhos, Casa do Ribeirinho (evocação dos Brito e Cunha, dos Mártires da Liberdade e da revolta da Belfastada), Largo Cartelas Vieira (um recanto de outros tempos no coração da cidade) e Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (cuja referência mais antiga se deve a uma peregrinação para Compostela). Ná área do Santuário, capelas dos Passos da Paixão, igreja e edifício/museu da Misericórdia.

sábado, 17 de setembro de 2011

Caminhada pelos "Caminhos de Santiago" no Grande Porto, comentada por Joel Cleto.



Da Senhora da Hora a Matosinhos. Partida do Parque das Sete Bicas, na Senhora da Hora, visita às Capelas da Senhora da Hora e Senhora da Penha, "evocação" da EFANOR (a "fábrica dos carrinhos") observando a sua emblemática vedação, passagem pelo Parque de Real , ruinas do mosteiro de Bouças e painel de azulejos de José Emídio, em Matosinhos.

sábado, 4 de junho de 2011

Porto - Palacete Visconde Pereira Machado


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..."Muito curiosa é a história do Visconde de Pereira Machado que viveu no seu solar da Rua Formosa, esquina com a Rua da Alegria que serve agora de sede a uma associação filantrópica. O titular chamava-se Guilherme Augusto Machado Pereira e foi feito visconde em 15 de Dezembro de 1868. Na carta de mercê em que foi agraciado com aquele título, em vez de Machado Pereira escreveram Pereira Machado e foi com esta designação que passou a usar o título. Por causa disso denominavam-no "visconde às avessas…" Os bailes que nos finais do século XIX se realizaram nos salões deste palacete contaram, muitas vezes, com a presença da duquesa de Palmela e do duque de Saldanha".

Germano Silva
in Jornal de Notícias

sábado, 28 de maio de 2011

Porto - Igreja de S. Lourenço (Grilos)


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Construída no século XVI, mais precisamente no ano de 1577 é um dos ultimos exemplares em estilo maneirista.

A sua construção deveu-se à caridosas doações de alguns fieis e a Frei Luis Alvares de Távora de Leça do Balio que impôs a condição de nala ter de ser sepultado.

A frontaria é monumental, composta por dois andares, nela se acumulam frontões, entablamentos, cornijas, pilastras e janelas.

No primeiro, três portas com frontões, sendo a do meio ornada com um portal formado por colunas gémeas coríntias sobre pedestais e por um entablamento com pedras no friso. No alto dois nichos vasios, nos extremos duas janelas, e a meio o emblema da Companhia de Jesus, com separação feita por pilastras toscanas.

No segundo, ao centro, uma janela e por cima o brasão de Frei Luís Álvares de Távora, a rematar este bloco a Cruz de Malta sobre pedestal. De ambos os lados nichos vazios, por cima destas janelas e a rematar, frontões partidos sustentados por colunas jónicas, das quais rompem pirâmides. As partes externas pertencem às torres, cobertas com grandes volutas, com cúpulas em tijolo.

A nave é coberta por abóbada de granito, de volta perfeita em caixotões.

As paredes são sustentadas por largas pilastras toscanas, onde estão grandes imagens dos Evangelistas e dos Apóstolos, em barro pintado.

Pilastras clássicas enquadram o arco triunfal. Sobre o entablamento, de cornija muito saliente, ergue-se até à abóbada um complicado frontão, guarnecido com motivos jesuítas e flamengos, cortado a meio pelo nicho de S. Lourenço.

A capela-mor é coberta por uma abóbada também em caixotões, ocupados por cartelas guarnecidas com pedras. Nas paredes vêem-se pilastras jónicas de fuste canelado e, entre elas, estuques decorativos. Existe também nesta capela um bom painel de João Baptista Ribeiro e a imagem de St°. Inácio, única na cidade. Na sacristia, com tecto de madeira apainelada, existe um retábulo e quatro quadros emoldurados com boa talha rocócó, dos fins do século XVIII.

De referir por fim que a sua localização fica num emaranhado de ruas da Zona Histórica do Porto, nas imediações da Sé, mais precisamente no Largo do Colégio.

Porto - Paço Episcopal

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A sua edificação parece ser originária do século XIII, embora possa assentar numa construção anterior. A construção deste edificio apresenta-se divida em três andares com distinta grandiosidade.

A fachada principal é aberta por um arco pleno ladeado por pilastras e rematada por um frontão guarnecido.

Doze janelas com grades de ferro iluminam o andar inferior. No primeiro e segundo andar repete-se o mesmo número de janelas, tendo as do andar superior frontões rocócó e varandas de ferro, apoiando-se em mísulas ornamentadas.

A janela central tem uma balaustrada de pedra e no frontão, que excede o entablamento, vê-se as armas do Bispo D. Rafael de Mendonça.

As fachadas laterais apresentam igualmente janelas emolduradas com aparatosos frontões. A entrada faz-se por um amplo vestíbulo abobadado tendo ao fundo um portal de pilastras jónicas, com frontão curvo. No tímpano está o brasão do Bispo Fundador.

A escadaria é composta por três lanços, um central e dois laterais, possui parapeitos ricamente decorados.

Nas paredes laterais, as janelas apresentam frontões curvos, interrompidos a meio por urnas floridas.

Ao fundo, há três janelões, preenchidos com vitrais, em que figuram os três tipos do brasão do Porto.

A abóbada, aberta por um lanternim, é guarnecida por excelentes estuques e pinturas.

No patamar superior, existe um interessante portal com colunas jónicas. Os festões deste portal, assim como os das janelas, são um bom exemplo do trabalho de cantaria executado em granito.

Porto - Igreja de Santa Clara


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No ano de 1758 escrevia-se sobre a igreja de Santa Clara:
É a mais perfeita e asseada deste Reino, toda coberta de talha de ouro, e azul.

A Igreja do Convento de Santa Clara, é o melhor exemplo que se pode apontar numa cidade fortemente timbrada pelo fenómeno do barroco. A Arte da Talha dourada e policromada, é uma das expressões que mais a notabiliza, enfatizando dessa forma a apropriação dos princípios da Reforma Católica (Natália Marinho Ferreira-Alves).

Faz parte de um conjunto de edifícios - igrejas forradas a ouro - em que a madeira entalhada e policromada ocupa todas as superfícies parietais e coberturas do espaço sacro, provocando no crente a evasão sensorial e elevando-o a uma realidade supra-humana. O trabalho de talha da capela-mor e arco cruzeiro é a obra-prima de Miguel Francisco da Silva, arquitecto e entalhador, um dos melhores intérpretes do barroco joanino no Porto.

A fundação do Convento de Santa Clara no Porto teve lugar no dia 28 de Março de 1416, em acto processional de grande solenidade, estando ao lado do Bispo D. Fernando Guerra, o próprio rei D. João I, e os príncipes Fernando e Afonso. Colheu desde a fundação o envolvimento da realeza.
Desta primeira fase são poucos os testemunhos materiais que resistiram.

De tempos mais recentes merece referência o claustro, como construção que revela a assimilação dos princípios mais puros do maneirismo. Em 1667 tratam as monjas da construção do mirante. A transição do século XVII para o seguinte foi ainda assinalada por obras múltiplas nos dormitórios (1707-1715), portaria (com interessante portal de composição barroca) e dois coros.

A partir de 1729 inicia-se o ciclo de transformação da igreja naquilo que hoje se mantem.

O acesso à igreja faz-se lateralmente, como é regra nos conventos femininos, uma vez que do lado oposto à capela-mor se situavam os coros das religiosas. À entrada um pórtico em que se entrecruzam formas tardo-góticas e da renascença, sendo este no exterior o único elemento de algum recorte plástico, no conjunto da austeridade e singeleza revelado pela construção.

O interior é formado pela nave, capela-mor e do lado oposto, os coros alto e baixo, com as respectivas grades de clausura que separavam os contactos entre fiéis e religiosas.

Em 1729, sendo abadessa D. Isabel Visitação, promovem-se obras de pedraria na capela-mor, que visaram sobretudo, aumentar a altura dos muros e do arco triunfal tornando o espaço mais amplo e luminoso. Estas obras foram orientadas pelo arquitecto António Pereira, que na época dirigia transformação paralela na Sé do Porto. Estes mesmos princípios renovadores alastraram em 1732 à nave, demarcando-se a nova altura a partir das tribunas. Uma vez mais a preocupação da luz com a abertura de lunetas por cima das tribunas. Em planta, a igreja mantinha a forma anterior.

A principal transformação foi conseguida não pela arquitectura mas pelo efeito cenográfico da talha e é nesta arte que as monjas polarizam o seu interesse, tornando-se a arquitectura anulada pelo efeito das formas reluzentes do cromatismo da talha e da imaginária que cobrem todas as estruturas interiores.

Em 1730 a obra de talha da capela-mor e arco cruzeiro foi arrematada por Miguel Francisco da Silva. Um programa complexo sob o ponto de vista formal e iconográfico, sendo a banqueta e o sacrário posteriores. O resultado alcançado fazem do artista um vulto maior do barroco portuense, e da igreja conventual de Santa Clara uma das jóias da arte barroca portuguesa, quer pela qualidade estética quer pela coerência de todo o conjunto.

texto-Manuel Joaquim Moreira da Rocha
Dep.Ciências e Técnicas do Património
Faculdade de Letras-Porto